segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A ROSA DE GELO

Capítulo 1

“Mas é claro, minha querida.”

Disse a Sra. Hepton enquanto levava sua xícara de chá à boca. Suas mãos tremulas sinalizavam sua velhice avançada, mas seus ainda bonitos olhos verdes contradiziam. Tomou um gole e continuou:

“Durante oitenta e dois anos da minha vida, sempre ouvi amigas comentando sobre seus problemas amorosos e o quão difícil éra para se encontrar um bom partido. Realmente, uma ou outra acabou não arrumando ninguém, mas essas nunca tiveram muita chance mesmo.”

Ela e a neta, Michelle, caíram na gargalhada.
Deitada em frente à lareira, Sarah, irmã gêmea de Michelle, cochilava no momento. Um cochilo que não durou muito quando as risadas se espalharam na aconchegante sala de estar da mansão.
As duas eram gêmeas idênticas. Loiras de cabelos longos e lisos como seda, dezessete anos, corpos bonitos de altura razoável e olhos azuis chamativos que herdaram de sua mãe.

“É , espero que eu também não acabe assim.” Disse Michelle.
“Mas é claro que não, não seja boba. E aquele rapaz bonitinho que você conheceu ano passado...qual o nome dele mesmo?”
Derrel. Ele foi estudar em Oxford. Se mudou para lá e só volta nas férias de verão para ver a família.”
“Você está deprimida, sis?” Resmungou Sarah.
“Ah, não estou deprimida. É que as vezes, ainda mais nessa época do ano, dá vontade de ter alguém.”

O ponto de vista de Michelle era compreensível. O frio e a neve castigam bastante o interior britânico no meio de Janeiro. Naquele momento em particular a neve havia dado lugar a uma leve chuva, mas o frio continuava.
A Sra. Hepton derramou o chá em uma nova xícara e ofereceu à outra neta. Esta, comentou enquanto engatinhava para a mesa no centro da sala, onde se encontrava a bebida:

“Por isso que você deveria fazer que nem eu e encontrar alguém de York. Nada que duas horas à cavalo não resolva.”

Sarah sentou-se no tapete de pele ao lado da pequena mesa de mármore branco.

“Bom, eu tentei. Não é culpa minha que ele resolveu estudar em Oxford.”
“Sarah,” disse a Sra. Hepton, “sua mãe me disse que você está namorando este rapaz há alguns meses. Ele é um policial, não?”
“Quase ,.” Respondeu Sarah após um gole de chá. “Ele é um detetive.”
“E velho demais pra você, na minha humilde opinião.” Disse Mary Hellen que entrava na sala ainda com os cabelos um pouco húmido do banho recém tomado.

“Mãe, já conversamos sobre isso não é?”

Michelle e sua avó, riram.

“Estou só te perturbando, querida. Não fique brava.”

Mary Hellen Hepton Payne é a filha mais nova de Amanda Hepton, e a única que constituiu uma família. Casada com Martin Payne, um comerciante de artigos de couro com uma renda razoável, leva uma vida de classe média. Apesar de ter nascido e crescido em um ambiente milionário e com extremas regalias, não esboça desgosto por adotar um estilo de vida de mais humilde ao lado do marido e das filhas. Seus cabelos loiros e ainda húmidos brilham como um rio de ouro à luz das chamas da lareira e sua pele clara pouco mostra seus quarenta anos de idade.

“Filha, sente-se ao lado de Sarah. Está mais perto do calor da lareira e seus cabelos logo irão secar.” Disse Sra. Hepton.

Sentando, Mary Hellen perguntou se Victor, o mordomo, já havia voltado. Ele e seu ajudante, Richard, foram buscar algumas provisões em York, pois o jornal desta manhã falava sobre uma possível nevasca forte nos próximos dias. Amanda sinalizou que não, com uma leve preocupação a mostra na face.
Victor serve os Hepton há cinquenta e cinco anos e Amanda fica preocupada quando ele sai nessas condições climáticas, mesmo levando Richard com ele. O mordomo de setenta e cinco anos já não possuía mais o vigor de outrora, e mesmo com um homem de trinta e um o acompanhando, poderia ser perigoso se o clima mudasse bruscamente.
Esta época do ano éra um período feliz, porém intediante. A mansão Hepton se localizava a duas horas de cavalgada ao norte de York, a cidade mais próxima no interior inglês. Desde quando Amanda ficou viúva, suas duas filhas Vanessa e Mary Hellen passam o natal na Mansão para fazer companhia à mãe. Seu filho mais velho, Peter, é um médico de cinquenta e cinco anos solteiro e bem estabelecido em Londres. Pela distância e a exigência de seu trabalho, raramente volta para York para ver a família. Este fim de ano, no entanto, foi excessão.
Com o frio intenso, grande parte do tempo todos ficam dentro da mansão, e isso acaba tornando as coisas um pouco intediantes.
Enquanto Mary Hellen e Michelle se serviam de mais chá, as rajadas de vento se intensificaram. O barulho podia ser ouvido claramente, mesmo por trás das largas paredes. Não se via nada através das janelas. Percebeu-se que o vento deu a impressão de aumentar a chuva, e as gotas que caiam logo se transformaram em flocos de neve que acompanharam os cristais de gelo.
A porta dupla do grande hall de entrada se abriu, e em meio a poeira branca que entrava, surge Victor segurando fortemente algumas bolsas de couro.
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By Fox

Um comentário:

Nashala disse...

Adorei, Re!
Vc sabe como eu odeio cha, neh? Li tantas vezes a palavra que me deu ate enjoo! =PP

Quero o proximo logo!
=**